Mariana e Marina, respectivamente

A história começa no ano de 2015, quando as gêmeas Marina e Mariana Balieiro Rodrigues estudavam no segundo ano do ensino médio na E.E. Djanira Velho l, no bairro Vila Amélia, em Ribeirão Preto. Nascidas na cidade e sempre estudantes de escola pública, as duas se encantaram com o Projete logo no primeiro ano do ensino médio, ao ouvirem alunos que já tinham passado pela experiência. Quando tiveram a oportunidade de participar, sendo selecionadas pela professora entre as melhores alunas da turma, deram tudo de si.

“Saber da aprovação foi um momento de muita sorte. Minha irmã gêmea tem o mesmo sobrenome que eu e nossos nomes têm apenas uma letra A de diferença, e na hora que os aprovados foram chamados meu nome não foi falado, apenas o dela. A Dani – Coordenadora do Projete – percebeu que tinha uma pessoa a mais na lista de aprovados além dos que já estavam na sala de reunião e comentou ‘Escreveram o nome da Mariana Balieiro duas vezes’, imediatamente minha irmã percebeu que poderia ser o meu nome e verificou isso. Ela estava certa, meu nome também estava na lista de aprovados”, relembra Marina.

Após a percepção do erro, comemoram que ingressariam juntas, vislumbrando um novo futuro com a certeza de que iriam se dedicar totalmente a cada etapa de mentoria e trabalhos realizados. As duas foram dirigentes do projeto final do grupo, com a ideia de fazer uma campanha de doação de sangue.

Projeto “Eu Acredito em Heróis”

Com uma campanha online no Facebook, o grupo publicava e demonstrava de maneira virtual a importância da doação de sangue, além de esclarecer dúvidas sobre quem poderia doar, como funcionava o processo de doação, desenvolveram um questionário, entre outras informações. O projeto permaneceu ativo por 1 ano e 7 meses e conseguiu em média 30 doadores no primeiro mês.

Além do estímulo para o lindo gesto, elas e os demais alunos realizaram uma recreação no Hemocentro da cidade, no Dia das Crianças, com a ideia de atingir pequenos que recebiam as bolsas doadas frequentemente, portadoras de doenças como anemia falciforme ou talassemia.

A ação teve algodão doce, saquinho surpresa, roda de música, contação de história, pintura facial e várias outras atividades. O sucesso foi tanto que elas deram continuidade ao projeto mesmo depois de formadas, realizando mais três vezes a ideia durante 1 ano e 7 meses, contemplando em torno de 300 crianças.

“Essa experiencia foi incrível e me abriu muitas portas. Uma delas foi trabalhar com recreação em festas infantis e mesmo ser convidada para outros projetos sociais como voluntária para fazer recreação com as crianças”, comenta Marina.

A indecisão

Na época do Projete, a família e as irmãs seguiam no ramo da costura produzindo roupas para pets, e esse trabalho as deixava indecisas quanto a escolher uma graduação ou a continuar nos negócios de família.

“As aulas aos sábados de manhã eram bem dinâmicas, discutia-se educação financeira e, principalmente, estimulava-nos a pensar no que queríamos para o futuro. Pensava como seria meu terceiro ano com cursinho e a costura. Em uma das conversas com os monitores ele me aconselhou que, como meu objetivo era fazer uma graduação, talvez fosse melhor focar nos estudos, e eu tinha essa opção. Retomar os estudos depois de encerrar o ensino médio, tendo um intervalo, seria mais difícil a retomada. Enquanto a costura, eu sempre poderia recorrer a ela”, conta Mariana.

Decididas a seguirem o ramo acadêmico, ambas ganharam bolsa em um cursinho de referência na cidade com a ajuda do Projete, e prestaram vestibulares. Marina foi aprovada na UNICAMP no curso de Engenharia de Manufatura, mas desistiu da graduação. Dois anos depois, em 2019, voltou aos estudos cursando Engenharia de Produção na UFSCAR, em São Carlos, onde mora atualmente.

Mariana queria cursar Engenharia Ambiental na UNESP de Rio Claro, mas não foi selecionada. Teve aprovação em Engenharia Ambiental na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e optou por não ir para insistir mais um ano no cursinho e ingressar na UNESP. No meio do caminho, decidiu mudar a faculdade para UNICAMP, mas com o mesmo curso, para morar junto com a irmã. Com a desistência da gêmea, em 2018, além da recepção calorosa dos veteranos da USP São Carlos, Mariana se convenceu a ficar na cidade e estudar.

Conquistas além da universidade

Entre toda a trajetória, as gêmeas tiveram conquistas além do ramo acadêmico, onde aplicaram o conhecimento adquirido no Projete para poder alcançar seus objetivos. Com a alma empreendedora, Marina aproveitou a pausa que deu na universidade e, no ano de 2017, passou a vender semijoias, sobremesas, trabalhou em uma loja de móveis e voltou a costurar, vendendo os produtos que criava. Mesmo depois que retornou aos estudos, continuou vendendo sobremesa e costurando aos finais de semana para realizar o sonho da viagem internacional.

“Graças a ajuda do meu irmão e da minha cunhada, que realizavam um intercâmbio na Irlanda e me receberam de braços abertos, realizei meu sonho e, em 15 dias maravilhosos, eu conheci ao todo cinco países”, conta Marina.

Mariana permaneceu no país com metas de viajar e conhecer as belezas nacionais. Dentre os destinos, já passou pelo Pantanal e Mariana (MG), além de participar de diversos projetos sociais para aplicar o conhecimento que teve no Projete sobre comunicação com empresas e aplicou em diversos trabalhos. Juntas, as gêmeas concretizaram o sonho da família e iniciaram os negócios no ramo de costura com a “Encantos Confecção”, onde produzem artigos pet e apoiam a variedades de produtos com moletom universitário, “sacochila”, pochete, camiseta, entre outros.

“Minha experiência no Projete me ajuda a planejar e administrar melhor nossa linha de produção. Hoje, imagino que sem ele não teria focado tanto nos meus estudos e teria mais dificuldades em lidar com minhas finanças. Não teria a experiência incrível de participar da organização e realização de um projeto social, não desenvolveria a comunicação com empresas”, garante Mariana.

O sucesso pessoal estimula para que isso se suceda ao sucesso acadêmico. No terceiro ano da graduação de Engenharia Ambiental, Mariana tem como objetivo se tornar professora de universidade e coordenar projetos extensionistas. Já Marina, pretende se formar e estagiar em uma empresa humanizada e trabalhar com a construção de conhecimento coletivo. Em comum, as gêmeas têm como sonho retornar ao projete como propagadoras de conhecimento, e não mais aprendizes, para poder retribuir tudo aquilo que tiveram quando foram alunas.

Texto escrito por Bruna Martinelli

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